Introdução
Quando os pais não entendem mais os filhos. Tem um momento estranho na maternidade em que os filhos continuam falando com a gente… mas parece que começamos a entender cada vez menos o que eles querem dizer.
Você entra no quarto e escuta:
— “Mãe, ele farmou muita aura.”
— “Nossa, que cringe.”
— “Six seven total.”
E por alguns segundos parece que seu filho está falando outro idioma.
As redes sociais mudaram completamente a forma como crianças e adolescentes se comunicam. Jogos online, memes e vídeos curtos aceleraram a criação de novas palavras e transformaram a linguagem em algo rápido, quase instantâneo.
Segundo uma matéria publicada pela revista Capricho, expressões como “farmar aura” e “six seven” cresceram justamente por causa da cultura digital e da necessidade dos jovens de se reconhecerem em grupos.
Mas existe um detalhe importante nisso tudo: por trás das gírias, existe um pedido silencioso de conexão.
Entender o jeito como os filhos falam não significa tentar agir como adolescente. Significa demonstrar interesse pelo universo deles. E, muitas vezes, é exatamente aí que os vínculos começam a se fortalecer novamente.
1. Quando os pais não entendem mais os filhos. Por que as novas gírias mudaram tão rápido?
1.1 A internet acelerou a linguagem
Antigamente, uma gíria demorava anos para se espalhar. Hoje, basta um vídeo viral para milhões de jovens começarem a repetir a mesma expressão em poucos dias.
Isso acontece porque:
- as redes sociais funcionam em tempo real;
- tendências surgem diariamente;
- influenciadores criam novas expressões;
- jogos online aproximam crianças do mundo inteiro;
- memes transformam palavras aleatórias em humor coletivo.
A geração atual vive conectada o tempo todo. Por isso, a linguagem também passou a mudar rapidamente.
1.2 O humor da nova geração é diferente
Grande parte das gírias atuais nasce do chamado “humor aleatório”. Muitas expressões não possuem um significado totalmente lógico, e justamente isso faz sucesso entre os adolescentes.
Palavras como:
- “six seven”;
- “farmar aura”;
- “tankei”;
- “delulu”;
- “cant”;
são usadas mais pela sensação que transmitem do que pela lógica tradicional da linguagem.
Para muitos pais, isso pode parecer estranho. Mas, para os jovens, é uma forma de pertencimento.
2. Quando a linguagem parece criar distância
2.1 A linguagem cria identificação
Toda geração desenvolve suas próprias formas de comunicação. Isso sempre aconteceu.
Antes eram:
- “top”;
- “balacobaco”;
- “massa”;
- “show de bola”;
- “crush”.
Hoje, as expressões mudaram. Mas o objetivo continua parecido: criar identidade entre amigos.
O problema começa quando os pais enxergam essas mudanças apenas como “bobagem da internet”.
Quando um filho sente que tudo o que ele gosta é ridicularizado, ele tende a se fechar.
2.2 O afastamento pode começar em pequenas reações
Imagine a cena:
Seu filho mostra um vídeo e diz:
— “Olha mãe, ele farmou muita aura.”
E a resposta vem automática:
— “Que linguagem horrível.”
Pode parecer algo pequeno. Mas pequenas reações acumuladas criam barreiras emocionais.
Muitas crianças e adolescentes deixam de compartilhar:
- vídeos;
- músicas;
- memes;
- interesses;
- conversas simples do cotidiano;
porque sentem que os pais não demonstram interesse genuíno pelo universo deles.
2.3 Entender não significa agir como adolescente
Esse é um ponto muito importante.
Os filhos não esperam que os pais falem exatamente igual a eles. O que aproxima é a curiosidade respeitosa.
Existe uma grande diferença entre:
- tentar “forçar juventude”;
e - demonstrar interesse verdadeiro.
Uma simples pergunta como:
“O que significa isso?”
pode abrir espaço para conversas muito mais profundas.
3. As gírias mais usadas pelos adolescentes atualmente
3.1 Dicionário da geração atual
| Gíria | Significado |
| Farmar aura | Ganhar carisma, estilo ou presença |
| Perdeu aura | Passou vergonha |
| Six seven | Meme aleatório usado em situações engraçadas |
| Delulu | Pessoa muito iludida |
| Tankar | Aguentar alguma situação |
| Serviu Cant | Arrasou |
| Jurou? | Expressão irônica |
| Random | Algo aleatório |
| NPC | Pessoa sem reação ou “automática” |
| Flopou | Não fez sucesso |
3.2 O que significa “farmar aura”?
Essa virou uma das expressões mais populares do momento.
“Aura” passou a representar:
- presença;
- estilo;
- confiança;
- carisma.
Já “farmar” veio dos jogos e significa acumular algo.
Então:
- “farmou aura” = impressionou positivamente;
- “perdeu aura” = viveu uma situação constrangedora.
3.3 O mistério do “six seven”
Muitos pais ficam completamente confusos ao ouvir essa expressão.
E a verdade é que muitos adolescentes também não sabem explicar exatamente.
“Six seven” virou uma espécie de humor coletivo da internet. É usado em:
- vídeos curtos;
- danças;
- memes;
- situações absurdas;
- piadas internas.
Isso mostra como a nova geração valoriza referências rápidas e compartilhadas online.
4. Como as redes sociais influenciam a linguagem dos filhos
4.1 As Redes Sociais mudou completamente a comunicação
As Redes acelerou:
- tendências;
- músicas;
- memes;
- expressões;
- comportamentos.
Uma única frase viral pode virar gíria nacional em poucos dias.
Além disso:
- vídeos curtos facilitam repetição;
- bordões ficam gravados rapidamente;
- desafios impulsionam novas palavras.
4.2 Os jogos online também criam linguagem própria
Muitas expressões vieram diretamente dos games.
| Palavra | Origem |
| Farmar | Jogos online |
| Tankar | Jogos de batalha |
| NPC | Jogos eletrônicos |
| Buff | Melhorar algo |
| Nerf | Enfraquecer algo |
Para os adolescentes, essas palavras já fazem parte da conversa comum.
5. O que os pais podem fazer para se aproximar
5.1 Escutar antes de julgar
Nem toda expressão nova representa algo negativo.
Muitas vezes, é apenas:
- humor;
- pertencimento;
- criatividade;
- influência digital.
Escutar com curiosidade cria mais conexão do que reagir com crítica imediata.
5.2 Pedir explicações pode fortalecer vínculos
Uma das formas mais simples de aproximação é pedir que os filhos expliquem o significado das gírias.
Isso faz a criança sentir:
- que seu universo importa;
- que ela está sendo ouvida;
- que os pais respeitam sua fase.
E existe um detalhe bonito nisso: adolescentes raramente explicam algo para alguém com quem não possuem confiança.
5.3 Compartilhar o universo digital ajuda muito
Não é necessário virar especialista em internet.
Mas pequenas atitudes fazem diferença:
- assistir vídeos juntos;
- perguntar sobre memes;
- entender tendências;
- conversar sobre influenciadores;
- conhecer os jogos favoritos dos filhos.
Esses momentos criam pontes importantes.
6. Os perigos de transformar tudo em crítica
6.1 Quando o julgamento fecha portas
Frases como:
- “essa geração está perdida”;
- “isso não faz sentido”;
- “na minha época era melhor”;
podem afastar os filhos emocionalmente.
A adolescência já é uma fase de construção de identidade. Quando o jovem sente vergonha do próprio universo dentro de casa, ele passa a esconder partes importantes da vida.
6.2 Conexão vale mais do que perfeição
Os filhos não esperam pais perfeitos.
Eles desejam:
- acolhimento;
- conversa;
- presença;
- interesse genuíno.
E muitas vezes a aproximação começa justamente em temas aparentemente simples, como entender uma gíria.
7. O que essas gírias revelam sobre a geração atual
7.1 Uma geração hiperconectada
Os adolescentes de hoje:
- vivem conectados;
- consomem conteúdo rapidamente;
- se comunicam através de vídeos curtos;
- transformam humor em linguagem.
Isso muda a forma como:
- conversam;
- demonstram afeto;
- fazem amizades;
- criam identidade.
7.2 O desejo de pertencimento continua o mesmo
Mesmo com tantas mudanças, uma coisa permanece igual: os filhos ainda desejam se sentir compreendidos dentro de casa.
A linguagem muda.
As expressões mudam.
As referências mudam.
Mas a necessidade de conexão continua exatamente a mesma.
Talvez o mais difícil da maternidade não seja acompanhar as mudanças dos filhos.
Talvez seja perceber que, aos poucos, eles começam a construir um mundo que já não cabe totalmente dentro do nosso.
E talvez seja justamente por isso que escutar se torna tão importante.
Toda geração cria sua própria linguagem. O que aproxima pais e filhos não é falar igual, mas continuar disposto a ouvir.
Conclusão
Quando pais e filhos parecem falar idiomas diferentes, o problema raramente está apenas nas palavras.
Muitas vezes, o que cria distância é a falta de curiosidade sobre o universo da nova geração.
As gírias atuais podem parecer estranhas, confusas e até engraçadas para quem cresceu em outra realidade digital. Mas por trás de expressões como “farmar aura”, “six seven” e “delulu”, existe uma geração tentando criar identidade, pertencimento e conexão entre amigos.
Os filhos não precisam que os pais saibam todas as tendências da internet.
O que realmente faz diferença é perceber que existe:
- interesse;
- abertura;
- escuta;
- vontade de compreender.
Pequenas atitudes podem transformar completamente a relação familiar:
- ouvir sem deboche;
- perguntar sem julgamento;
- participar do universo digital com equilíbrio;
- conversar com leveza;
- respeitar as mudanças culturais de cada geração.
Talvez você nunca fale naturalmente como seu filho fala. E tudo bem.
O mais importante é que ele continue sentindo que pode conversar com você.
Aqui no O Amor Educa, acreditamos que acolhimento também nasce nas pequenas conversas do cotidiano.
Se esse conteúdo fez sentido para você, compartilhe com outra mãe e conte nos comentários:
qual foi a gíria mais diferente que você já ouviu do seu filho?
FAQ
É normal eu me sentir perdida ouvindo meu filho falar?
Sim. Toda geração cria novas formas de comunicação e isso pode causar estranhamento nos pais.
Preciso aprender todas as gírias para me aproximar do meu filho?
Não. O mais importante é demonstrar interesse genuíno pelo universo dele.
O que significa “farmar aura”?
É uma expressão usada quando alguém demonstra carisma, estilo ou presença.
“Six seven” possui um significado específico?
Na maioria das vezes, é usado como humor aleatório da internet.
As redes sociais aceleram o surgimento de novas gírias?
Sim. Memes e vídeos curtos fazem novas expressões se espalharem rapidamente.
Como conversar com adolescentes sem parecer invasivo?
Escute mais, faça perguntas leves e evite transformar tudo em crítica.

Sou redatora especializada em maternidade, com foco em educação positiva e criação com apego. Formada em Orientação Parental, ajudo famílias a construírem relações mais respeitosas e acolhedoras. Acredito no poder das palavras para informar, apoiar e transformar a jornada da parentalidade com empatia e conhecimento.

