Já se perguntou em como ensinar empatia para crianças? E sabe uma coisa que eu tenho pensado muito sobre a maternidade? A gente fala bastante sobre ensinar nossos filhos a serem educados, responsáveis, independentes e respeitosos, mas existe uma habilidade que está por trás de muitas dessas coisas e que nem sempre recebe a atenção que merece: a empatia. Afinal, como ensinar uma criança a perceber que o outro também sente? Que uma palavra pode machucar, que uma brincadeira pode deixar alguém triste, que um amigo pode estar com medo mesmo quando ela não está? E, principalmente, como fazer isso sem transformar cada situação da infância em uma grande lição de moral?
A verdade é que ensinar empatia acontece muito mais na vida real do que nas grandes conversas. Acontece quando seu filho vê você pedir desculpas depois de perder a paciência. Acontece quando vocês estão lendo uma história e você pergunta o que determinado personagem pode estar sentindo. Acontece quando o irmão está chorando e, em vez de simplesmente mandar parar a briga, você ajuda as crianças a entenderem o que aconteceu. Acontece até naquela situação aparentemente pequena em que alguém cai no parquinho e seu filho olha para você sem saber o que fazer.
E talvez seja justamente por isso que eu gosto tanto desse assunto. Porque não precisamos criar momentos perfeitos para ensinar empatia. Podemos aproveitar os pequenos acontecimentos do cotidiano. E, aos poucos, nossos filhos começam a perceber que existem outras pessoas ao redor deles, cada uma com seus próprios sentimentos, medos, desejos e necessidades.
Mas, afinal, o que é empatia?
De uma maneira bem simples, empatia é a capacidade de perceber e considerar aquilo que outra pessoa pode estar sentindo. Isso não significa concordar com tudo o que o outro faz e muito menos significa abrir mão dos próprios sentimentos para agradar alguém. Uma criança pode não querer emprestar um brinquedo e ainda assim entender que o amigo ficou triste. Pode estar com raiva do irmão e, mesmo assim, perceber que suas palavras machucaram.
Essa diferença é importante porque, às vezes, confundimos empatia com “ser boazinha” ou fazer sempre aquilo que os outros querem. E não é isso que queremos ensinar. Queremos que nossos filhos aprendam a olhar para si mesmos e também consigam, aos poucos, olhar para quem está ao lado.
O UNICEF também destaca a importância das relações, da comunicação e da maneira como os adultos ajudam as crianças a reconhecer e compreender sentimentos no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. UNICEF — comunicação com crianças e sentimentos
E existe uma coisa ainda mais interessante: nossos filhos aprendem muito observando.
1. Comece ajudando seu filho a reconhecer os próprios sentimentos
Antes de conseguir perceber o que outra pessoa sente, a criança precisa começar a entender o próprio mundo emocional. E isso pode acontecer de uma forma muito simples.
Imagine que seu filho caiu e começou a chorar. É comum a gente tentar resolver rapidamente: “Não foi nada”, “Levanta, já passou”, “Você está bem”. Só que, às vezes, podemos parar um pouquinho e dizer: “Você se assustou?” ou “Está doendo?” ou simplesmente “Eu vi que você ficou triste”.
Não estamos incentivando o choro. Estamos mostrando que sentimentos podem ser reconhecidos e nomeados.
Com o tempo, esse vocabulário começa a aparecer em outras situações. A criança que aprende a dizer “eu estou frustrado” também começa a perceber que o irmão pode estar frustrado. A criança que entende o próprio medo começa a compreender que outra pessoa também pode sentir medo diante de uma situação que, para ela, parece tranquila.
Parece uma coisa pequena, mas não é.
2. Pergunte o que o outro pode estar sentindo
Essa é uma estratégia que podemos usar praticamente todos os dias.
Seu filho brigou com um amigo? Em vez de começar imediatamente pelo sermão, experimente perguntar: “Como você acha que ele ficou depois disso?”
O irmão começou a chorar? “O que você acha que aconteceu com ele?”
Vocês estão assistindo a um desenho e um personagem aparece triste? “Você acha que ele está triste por quê?”
Não precisamos transformar isso em um interrogatório. É uma conversa.
E também não precisamos esperar que a criança dê a resposta que consideramos correta. Às vezes ela vai dizer “não sei”. Tudo bem. Podemos continuar: “Vamos pensar juntos?”
A intenção não é fazer a criança carregar a culpa pelo sentimento do outro. É ajudá-la a perceber que suas ações acontecem dentro de relações e podem ter consequências para outras pessoas.
3. Use os livros e as histórias que já fazem parte da rotina
Se existe uma ferramenta que pode nos ajudar muito nessa tarefa, são as histórias infantis.
E nem precisa ser um livro especificamente sobre empatia.
Pode ser qualquer história em que um personagem esteja vivendo alguma situação interessante. Quando ele estiver com medo, pergunte: “Você acha que ele está com medo?” Quando estiver sozinho: “Como será que ele está se sentindo?” Quando outro personagem aparecer para ajudar: “Por que você acha que ela fez isso?”
Essas pequenas perguntas fazem a criança parar e imaginar o que está acontecendo dentro de outra pessoa.
E o melhor é que podemos fazer isso sem transformar a leitura em uma aula.
É só conversar.
A história termina, vocês fecham o livro e seguem a vida.
Mas aquela conversa pode continuar trabalhando dentro da criança.
4. Mostre empatia nas suas próprias atitudes
Essa talvez seja a parte mais difícil para nós, mães, porque significa olhar também para o nosso próprio comportamento.
Queremos que nossos filhos sejam respeitosos, mas eles observam como falamos com outras pessoas. Queremos que saibam pedir desculpas, mas eles também observam o que fazemos quando erramos. Queremos que tenham paciência, mas eles percebem como reagimos quando alguma coisa dá errado.
Isso não significa que precisamos ser mães perfeitas. Ainda bem, porque ninguém conseguiria sustentar esse personagem por muito tempo.
Podemos simplesmente mostrar que também aprendemos.
“Eu fiquei muito irritada e falei de um jeito que não gostei.”
“Desculpa, eu poderia ter falado de outra maneira.”
“Eu percebi que você ficou triste.”
Essas frases são poderosas porque mostram que empatia não é uma característica que algumas pessoas têm e outras não. É uma habilidade que pode ser praticada.
Nossos filhos não precisam ver uma mãe que nunca erra.
Eles precisam ver uma mãe que consegue reconhecer o erro e tentar novamente.
5. Incentive pequenos gestos de cuidado
A empatia também aparece nas pequenas atitudes.
Talvez seja oferecer água para alguém que está cansado. Fazer um desenho para a avó. Ajudar o irmão a guardar alguma coisa. Perguntar se o amigo está bem. Buscar um brinquedo que caiu.
São gestos simples, mas ajudam a criança a perceber que aquilo que fazemos pode melhorar o dia de outra pessoa.
Só existe um cuidado importante aqui: não precisamos obrigar nossos filhos a demonstrar afeto.
“Dá um beijo na tia.”
“Abraça a vovó.”
“Pede desculpa agora.”
Se queremos ensinar respeito, precisamos respeitar também os limites da criança.
Ela pode não querer abraçar alguém e ainda assim aprender a ser gentil.
Pode demonstrar carinho de outra maneira.
Pode fazer um desenho, conversar, ajudar ou simplesmente estar presente.
Empatia não é obrigação de agradar.
6. Ensine que as pessoas podem sentir coisas diferentes
Essa é uma descoberta muito importante na infância: duas pessoas podem viver a mesma situação e sentir coisas completamente diferentes.
Você pode adorar ir à escola enquanto seu filho sente um friozinho na barriga. Seu filho pode achar uma brincadeira maravilhosa enquanto outra criança não gosta. Uma pessoa pode gostar de conversar muito e outra pode preferir ficar quietinha.
Podemos aproveitar essas situações para dizer:
“Você gostou, mas ele não gostou. As pessoas podem sentir coisas diferentes.”
Parece óbvio para nós, adultos, mas não é necessariamente óbvio para uma criança.
Ela está aprendendo que o mundo não existe apenas a partir da própria perspectiva.
E essa aprendizagem será importante durante toda a vida.
7. Ensine seu filho a reparar quando machucar alguém
Essa é uma das partes mais bonitas da empatia, porque mostra que errar não precisa significar o fim da conversa.
Imagine que seu filho empurrou o irmão durante uma briga e ele começou a chorar.
É claro que precisamos interromper o comportamento. Mas depois disso podemos ajudar a criança a perceber o que aconteceu.
“Seu irmão se machucou.”
“Olha como ele está chorando.”
“O que podemos fazer para ajudar?”
Talvez seja necessário pedir desculpas. Talvez pegar gelo. Talvez ajudar o irmão a se levantar. Talvez conversar sobre outra maneira de resolver aquele conflito.
O objetivo não é simplesmente conseguir um “desculpa” automático.
Queremos que a criança comece a entender que nossas atitudes podem afetar outras pessoas e que, quando isso acontece, podemos tentar reparar.
Isso aproxima empatia de responsabilidade.
E acho que é uma das coisas mais importantes que podemos ensinar aos nossos filhos: todos nós podemos errar, mas também podemos aprender a reparar.
Empatia não significa ensinar seu filho a dizer “sim” para todo mundo
Quero fazer uma pausa aqui porque esse ponto pode gerar muita confusão.
Às vezes pensamos que, se ensinarmos nossos filhos a considerar os sentimentos dos outros, eles poderão se tornar crianças que não sabem dizer não.
Mas uma coisa não precisa excluir a outra.
Seu filho pode dizer que não quer emprestar um brinquedo naquele momento.
Pode dizer que não gostou de determinada brincadeira.
Pode não querer abraçar alguém.
Pode pedir para ficar sozinho.
E ainda assim aprender a respeitar os sentimentos dos outros.
Na verdade, ensinar limites também é ensinar respeito.
Podemos dizer:
“Você não precisa fazer algo que não quer. Mas também precisamos pensar em como podemos falar isso sem machucar o outro.”
Isso é empatia.
E quando parece que meu filho não tem empatia?
Calma.
A infância é uma fase de desenvolvimento. A criança ainda está aprendendo a esperar, controlar impulsos, compreender perspectivas diferentes e lidar com sentimentos intensos.
Por isso, talvez seja mais útil trocar a frase:
“Meu filho não tem empatia.”
por:
“Que habilidade ele ainda precisa aprender?”
Talvez ele não tenha conseguido reconhecer o sentimento do outro.
Talvez estivesse muito frustrado.
Talvez ainda não saiba controlar um impulso.
Talvez precise de ajuda para entender as consequências de determinada atitude.
Quando mudamos a pergunta, mudamos também a maneira de educar.
Em vez de rotular a criança, procuramos ensinar.
E isso faz muita diferença.
O que evitar quando queremos ensinar empatia
Também existem algumas coisas que fazemos tentando acertar e que podem acabar atrapalhando.
Uma delas é usar a culpa: “Olha o que você fez! Seu irmão está chorando por sua causa!”
Outra é comparar: “Veja como sua irmã sabe se comportar e você não.”
Também não precisamos obrigar demonstrações físicas de carinho ou esperar que a criança tenha o mesmo nível de autocontrole de um adulto.
E, principalmente, não precisamos transformar cada conflito em um discurso de vinte minutos.
Às vezes, uma frase simples funciona melhor:
“Ele ficou triste. Vamos pensar no que podemos fazer agora.”
A criança aprende mais quando participa da reflexão do que quando apenas escuta um sermão.
Uma tabela para levar a empatia para a rotina
| Situação | Uma pergunta que podemos fazer | O que estamos ensinando |
|---|---|---|
| Outra criança está chorando | “Como você acha que ela está se sentindo?” | Percepção dos sentimentos |
| Os irmãos brigaram | “O que aconteceu com cada um?” | Perspectiva |
| Alguém se machucou | “O que podemos fazer para ajudar?” | Cuidado |
| Um personagem está triste | “Por que você acha que ele está assim?” | Compreensão emocional |
| Alguém pensa diferente | “Será que ele pode sentir outra coisa?” | Respeito às diferenças |
| A criança ficou irritada | “O que você sentiu?” | Autoconhecimento |
| A criança machucou alguém | “Como podemos reparar?” | Responsabilidade |
Uma brincadeira simples para conversar sobre sentimentos
Se você quiser levar esse assunto para um momento mais descontraído, existe uma brincadeira que pode funcionar muito bem em família.
Pegue alguns pedaços de papel e escreva sentimentos como alegria, tristeza, medo, raiva, vergonha, saudade e surpresa. Coloque tudo dentro de uma caixinha e, em algum momento tranquilo, cada pessoa pode retirar um papel.
A criança pode contar uma situação em que sentiu aquela emoção. Você também pode participar.
E aqui existe uma oportunidade maravilhosa: seu filho pode descobrir que a mãe também sente medo, frustração, vergonha, saudade e raiva.
Porque conversar sobre emoções não precisa ser uma coisa que fazemos somente com as crianças.
Podemos fazer juntos.
Talvez a empatia comece muito antes do que imaginamos
Pensando bem, talvez a pergunta não seja apenas “como ensinar empatia para crianças?”.
Talvez seja também:
“Que tipo de relação meu filho está experimentando dentro de casa?”
Quando ouvimos uma criança antes de corrigir.
Quando reconhecemos seus sentimentos sem permitir comportamentos inadequados.
Quando pedimos desculpas.
Quando respeitamos seus limites.
Quando mostramos que podemos discordar sem desrespeitar.
Quando ajudamos alguém.
Quando falamos sobre como determinada atitude afetou outra pessoa.
Tudo isso é educação para a empatia.
A criança observa muito mais do que imaginamos.
Ela aprende quando percebe que seus sentimentos podem existir sem que sejam ridicularizados. Aprende quando descobre que pode errar e tentar novamente. Aprende quando vê adultos tratando outras pessoas com respeito.
E, pouco a pouco, começa a fazer o mesmo.
Não precisamos criar crianças perfeitas
Talvez essa seja a parte que eu mais gostaria que você guardasse.
Não precisamos criar uma criança que nunca vai magoar ninguém.
Isso não existe.
Nem nós conseguimos passar pela vida sem falar algo errado, perder a paciência ou tomar uma decisão que depois gostaríamos de mudar.
Nossos filhos também vão errar.
Vão disputar brinquedos.
Vão dizer coisas que machucam.
Vão ter dificuldade de dividir.
Vão pensar primeiro neles mesmos.
E tudo bem.
Eles estão aprendendo.
O nosso papel não é eliminar todos os conflitos da infância.
É ajudá-los a atravessar esses conflitos aprendendo alguma coisa.
Talvez hoje seu filho só consiga perceber que o irmão ficou triste.
Amanhã ele pode conseguir perguntar se está tudo bem.
Depois de amanhã pode conseguir reparar uma atitude.
E, um dia, talvez perceba sozinho que alguém está precisando de ajuda.
É assim que acontece.
Pequenos passos.
Pequenas conversas.
Pequenos gestos.
E talvez seja justamente aí que esteja a beleza da educação: não precisamos ensinar tudo em um único dia.
Podemos ensinar um pouquinho hoje e continuar amanhã.
E se existe uma coisa que nossos filhos vão levar para a vida, muito além das regras que ensinamos, é a maneira como aprenderam a tratar e ser tratados pelas pessoas que amam. 💛
💛 Para colocar em prática esta semana
Escolha apenas uma situação deste artigo para observar durante os próximos dias.
Pode ser quando seu filho estiver brigando com o irmão, quando alguém estiver triste ou até durante a leitura de uma história.
Em vez de tentar ensinar tudo, faça uma única pergunta:
“Como você acha que essa pessoa está se sentindo?”
Talvez a resposta seja surpreendente.
E talvez uma conversa de dois minutos seja suficiente para começar.
👉 Salve este artigo para voltar a ele quando quiser novas ideias para trabalhar a empatia em família.
Se você conhece outra mãe que está tentando ensinar seus filhos a serem mais respeitosos e sensíveis aos sentimentos dos outros, compartilhe este conteúdo com ela.
💛 Vamos praticar a empatia juntos?
Educar uma criança para perceber, respeitar e cuidar dos sentimentos dos outros acontece nos pequenos momentos do dia a dia.
Escolha uma das ideias deste artigo e experimente nesta semana. Não precisa fazer tudo. Uma conversa, uma pergunta ou um pequeno gesto já pode ser um começo.
👉 Salve este artigo para consultar novamente e compartilhe com outra mãe que também está vivendo os desafios de educar com carinho, respeito e consciência.
Porque, no fim, nossos filhos aprendem muito sobre empatia quando também se sentem vistos, ouvidos e respeitados dentro de casa. 💛
Se você gosta de usar os livros para conversar com seu filho sobre sentimentos, amizade e respeito, vale a pena ter algumas histórias desse tipo por perto.
Um bom livro infantil pode abrir espaço para perguntas simples, como “O que você acha que ele está sentindo?” ou “O que você faria nessa situação?”. E muitas vezes é justamente durante uma história que a criança consegue falar sobre sentimentos que ainda não sabe explicar diretamente.
👉 Confira alguns livros infantis que podem ajudar a conversar sobre emoções, empatia e relações com as crianças.
Escolha histórias que façam sentido para a idade do seu filho e, principalmente, que despertem vontade de conversar juntos.

Sou redatora especializada em maternidade, com foco em educação positiva e criação com apego. Formada em Orientação Parental, ajudo famílias a construírem relações mais respeitosas e acolhedoras. Acredito no poder das palavras para informar, apoiar e transformar a jornada da parentalidade com empatia e conhecimento.

